Ela

Fecho a porta e enquanto a tranco solto um longo suspiro. Ainda no mesmo lugar, olhando para o chão, penso em tudo o que tenho que agradecer, mas ao mesmo tempo sinto o peso da espera esmagando meus ombros. Não quero olhar para trás, entrar neste corredor escuro, sem saber o que a noite me trará. Não queria ter descido do carro, nem me despedido, nem me distanciado dela.
Ela.
É ela que me move. Que me recarrega, me complementa, me alucina e me tira o sono. É por ela que sinto meu coração palpitar, só por ela.
Dona dos meus pensamentos, dos meus sonhos hoje compartilhados, dona dos meus beijos e desejos. Dona dos meus risos e do meu silêncio.
Me perco nos seus olhos como uma criança se perde em uma loja de doces, seu olhar é como uma porta destrancada, entre aberta, um convite explícito para entrar e para nunca mais sair.
Ao lado dela descobri um mundo completamente novo, encontrei as respostas de perguntas que nem mesmo foram feitas. As dúvidas se dissiparam e tudo finalmente fez sentido.
Ela. Ela é meu sentido.

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Batalha

Cansei de tentar me fazer ser entendida por palavras, nada basta, uma luta constante entre verdades e mentiras consome toda e qualquer felicidade que pode vir a existir.
Um tentando bater mais forte do que o outro, esfregando suas feridas cara a cara, perdendo tempo apontando seus dedos imundos e justificando seus medos.
Pessoas se perdendo, é só o que eu vejo, cada vez menos vontade de tentar, de arriscar, de conhecer, de enfrentar. É muito mais fácil associar o novo ao que já se conhece, do que ter a sensibilidade de perceber sutilmente que pode sim ser diferente.
E é entre erros e acertos que escolhemos, perdemos, ganhamos e as vezes até desistimos.
Somos fruto do que plantamos, feliz ou infelizmente.

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Tudo de novo outra vez.

A cada novo dia um mesmo roteiro, as mesmas falas aprisionadas e deixas marcadas pelas inúmeras repetições .

Mesmo sabendo que é perda de tempo, mudamos os personagens na esperança de que algo saia diferente, quando na verdade a única diferença é a posição em que você mesmo os coloca. São sempre os mesmos, a mocinha injustiçada, a “workaholic” sem tempo, a super mulher, esposa, mãe e afins, a visível infeliz tentando se convencer diariamente de que fez a escolha certa, e claro, a vítima. Essa última pode se encaixar em muitos discursos, papeis, personagens e afins, basta algo sair do controle ou não acontecer como previsto. A vítima tem o talento de se adaptar.

Se fomos capazes de escrever esse roteiro, porque não podemos ser capazes de re escreve-lo?

Dá muito trabalho? Claro, entendo. É mais fácil fazer uma adaptação de um texto já conhecido, é mais fácil permanecer no mesmo personagem viciado, realmente, é um trilhão de vezes mais fácil.

Concorda que quanto mais vezes apagamos um erro sobre o papel, mais sujo e frágil ele fica? Nossos dias são uma folha em branco, para que assim possamos escrever diariamente, não precisamos começar de onde paramos, nem tão pouco usar a folha do dia anterior porque sobraram algumas linhas em branco.

Arrisque, crie, some, tire lições dos erros, levante, grite, peça perdão, sorria, experimente, dê vazão, fique triste, sonhe, lute, acredite, chore, cante, faça piada com a situação em que se encontra, olhe pelo lado menos sombrio, e principalmente, não se arrependa, apenas aprenda a se respeitar. Se permita, mas por favor, não se faça de vítima, esse papel já está manjado demais.

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Sufocando.

Primeiro sinto minha cabeça começar a pesar, pequenas agulhadas tomam conta do meu rosto, meus lábios estão formigando, meus olhos não conseguem ficar abertos por muito tempo sem que a dor me lembre de fecha-los.

Sinto cada milímetro do meu corpo ser anestesiado pouco a pouco, a sensação de liberdade que a água provoca me liberta, mas ao mesmo tempo me sinto acorrentada a dor de ser lentamente sufocada. Paro de pensar por um momento, me deixo ser sustentada pela imensidão úmida que me rodeia, a preocupação se esvai, a esperança timidamente se retira e finalmente me permito fazer parte daquilo.

Meu corpo começa a pesar, afundar como se um fio preso a mim estivesse sendo puxado insistentemente para baixo. Meus olhos automaticamente pousam ao local onde cai, a fenda que se abriu foi substituída por uma fina camada de gelo, selando qualquer tentativa de fuga, me sinto algemada, compactuada com algum tipo de situação em que eu não tive escolha.

Um fio de raciocínio lampeja em algum lugar da minha mente quase adormecida, finalmente me lembro de respirar e golpeio o ar com a sede de vida que ainda me resta. Meu quarto, minha cama, meu sonho, minhas escolhas. No fundo sempre sabemos quando estamos sonhando, mas muitas vezes precisamos sentir faltar o ar para acordarmos.Imagem

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Cada erro, um acerto.

Nem sempre acertamos de primeira quando tentamos algo novo, não deveríamos esquecer disso, afinal, quem conseguiu amarrar os sapatos na primeira tentativa?. Quem conseguiu assobiar ou soltar a primeira bolha de sabão com um só sopro?. Não conheço quem tenha começado a andar de bicicleta sem rodinhas na primeira pedalada, quem tenha dito a primeira palavra corretamente ou quem tenha acertado de cara a primeira equação matemática.

Estendendo isso para a vida fica muito mais fácil transformar decepções em aprendizado, ninguém nasce sabendo, claro que existem exceções, há sempre quem tenha acertado algo de primeira, sorte ou aptidão?

Hoje consigo agradecer por cada erro que cometi, e até mesmo os que cometeram comigo, pelo menos sobram menos opções para os caminhos certos, pois a maioria dos errados eu já trilhei. Tenho uma noção boa do que eu quero para a minha vida, mas tenho a certeza absoluta do que eu não quero.

Levo comigo mais uma frase significativa: Cada erro, um acerto.

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Reciclar

O mundo gira tão rápido que de uma hora para outra todas as respostas que existiam se tornam incoerentes e sem nexo algum. Tudo de repente vira inexplicavelmente do avesso e você se vê obrigado a escolher entre você e você. Sim, eu não estou ficando maluca, você realmente tem que escolher qual dos “vocês” deve seguir adiante, afinal essa coisa de dupla personalidade não é muito aceitável (risos).

Chega um momento em que temos que resgatar o melhor de nós mesmos, reciclar o existente e apenas deixar as rebarbas construtivas existirem nesse amontoado de rascunhos escritos. Isso mesmo, temos o poder de ler e reler nossa própria história, nosso próprio eu, e por mais que não possamos apagar os capítulos já escritos, podemos e devemos fazer um resumo deles. Não só temos capacidade, como temos ainda sanidade para avaliar o que nos foi acrescentado de bom e de ruim no decorrer da história. Afinal, um bom livro além de começo, meio e fim, deve possuir conteúdo conciso, construtivo, com bom português e que prenda a atenção do leitor. Então vamos nos desfazer dos borrões, dos erros de português, das virgulas mal empregadas, da ambigüidade e claro, da redundância. Metáforas são bem vindas, o sentido figurado da espaço para a mente voar em direções diversas, cores e uma pitada de fantasia, sem isso ficamos um tanto quanto cinzentos e sem graça nenhuma.

Nos livremos dos excessos, da mesmice e nada de encher lingüiça. Sejamos o melhor que possamos ser. Um livro limpo, sem “orelhas” nas páginas, divididos em curtos, médios e longos capítulos. Com direito a títulos diferentes e criativos, sem manchas, farelos e pingos de gordura. Podemos e devemos trocar a capa de vez em quando, eu particularmente prefiro ser dona de uma capa dura, sem muita informação, afinal não quero que me comprem por ela e sim pelo que o conteúdo de minhas páginas podem proporcionar. Uma viagem inimaginável por dentre os meus pensamentos, meus sonhos, minhas incontáveis transmutações e minhas intermináveis páginas brancas ainda por escrever.

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Um caminho

Chegou o tão esperado dia, que há muito estava esperando, como combinado, hoje é o dia de encontrar “aquela” pessoa que faz seu coração bater mais forte.  Você passa o dia tentando imaginar o que vai dizer assim que seus olhos cruzarem com os dela, não consegue se concentrar no trabalho, não tira os olhos do relógio e até se esquece de comer. 

Pronto. Acabou o expediente. Você sai apressado, entra no carro e torce para que não tenha trânsito. Caramba. A roupa!

Você ficou tão ocupado pensando em como seria isso ou aquilo, que acabou se esquecendo de uma coisa importante, que roupa vai usar?

Bom, uma coisa de cada vez, primeiro vou chegar em casa, tomar um banho, ai sim decido entre uma das minhas duas roupas preferidas. Ok.

Banho tomado, roupa decidida, perfume, casaco, chave do carro, endereço…endereço? Ptz!

Liga o computador. Pega o endereço no email. Legal, tudo certo!

No caminho você se depara com um trânsito chato, mas decide que nada vai tirar o seu bom humor, porque em breve tudo o que você mais quer estará bem ali, na sua frente. Vira uma direita, algumas esquerdas, dá a volta, entra em uma rua sem saída, para em um ou dois postos de gasolina para se certificar que o caminho está correto e depois de algum tempo chega ao endereço que recebeu por email. Mas espere um momento, esse endereço não pode estar certo, o número 403 é uma casa, não pode ser. Você segue em frente, olha número por número, nenhum sinal de algo parecido com o local que está procurando, aquele parece ser um bairro residencial. Para o carro, pega o celular e liga para ela, a pessoa que marcou e combinou com você. Aquela que está te fazendo delirar acordado. Nada. Caixa postal.

Bom, o melhor a fazer é tentar achar o local pelo nome. Google it. O mapa te dá um caminho completamente diferente, para um lugar que você nunca viu na vida e nem ouviu falar. Bom, pra quem já está perdido, se perder de novo não é nada, mesmo porque você quer isso mais do que tudo na vida. Em paralelo continua tentando fazer com que a caixa postal decida parar de falar, quem sabe o sinal está ruim, hoje em dia isso é mais do que normal, mesmo porque ela não teria motivo nenhum para te dar um “perdido”. Ou teria? Melhor não pensar no pior, não, imagina, será que eu anotei o endereço certo?

Você continua tentando chegar ao tal lugar, depois de mais uns dois taxistas e sabem-se lá quantos postos de gasolina, você realmente começa a ficar angustiado. Já se passaram duas horas do horário combinado, nenhum telefonema, mensagem ou sinal de vida. Nossa. Esqueci o celular no silencioso!!! Quando você pega o celular, percebe que a bateria já era, depois de um dia inteiro, é claro que ela não aguentaria!
Legal, muito legal, está tudo realmente dando errado. Ai você percebe, que o que deveria levar 30km, já tinha virado 200km. Mais algumas tentativas, indicações e paradas, você começa a se sentir um idiota e automaticamente desanimado. Essas horas já estão todos bêbados e dando risada, enquanto você está enfrentando o mundo, literalmente, para conseguir chegar ao menos para um oi. Depois de mais alguns bons km e muito cansaço você finalmente decide voltar pra casa. Chegar a um local que você conhece é 300 vezes mais fácil. “Acho que não era pra ser”, pensamento típico de quem não consegue concretizar o que tinha em mente.

Chega a sua casa, toma outro banho, desta vez para tentar dormir ao invés de acordar. Tenta não pensar nas muitas possibilidades que cria para responder a pergunta que não quer calar, passa a noite em claro, tentando se convencer de que é apenas uma insônia causada pelo stress dos 300km e la vai bolinha, que você percorreu em meio ao trânsito e ansiedade por chegar a tempo no lugar combinado a uma semana atrás. Uma grande perda de tempo, sem contar de saúde, sono e gasolina.

Assim que o bom senso define que já é uma hora descente de ligar para alguém em um sábado de manhã, você pega o telefone para finalmente descobrir o que houve. Uma, duas, três, são a quantidade de vezes que o seu dedinho aperta o botão de desliga. Coração a mil, estômago doendo, mãos suando e um alô do outro lado da linha. Legal, ela me atendeu.

“Me desculpa. Na correria acabei te mandando o endereço errado, eu sabia o nome do lugar, mas o endereço não. Minha bateria acabou, eu não tinha seu telefone anotado em outro lugar. Quando consegui um celular com internet emprestado, peguei seu número no meu email, mas só dava caixa postal”. É a frase que você ouve. Bingo!!!

Você fica desconcertado, murmura um “tudo bem, acontece.” E se sente um tremendo idiota por ter passado a noite em claro pensando em um monte de possibilidades inexistentes. Legal, mas o que essa história tem de tão interessante? Ao pé da letra nada!

O problema é que muitas vezes fazemos isso durante um bom tempo em uma relação, pela “falta de comunicação” você acaba desviando do caminho diversas vezes, o que poderia ter sido resolvido com uma ligação durante o dia, ou uma confirmação no endereço, fez com que você tivesse a noite mais longa da sua vida. Por falta de comunicação você acaba supondo mais do que realmente deve. Acaba criando mais do que um diretor de criação daquela agência bam, bam, bam e pior, você nem vai concorrer a um Cannes por isso.

Pior ainda é quando um fala e o outro não ouve. Você está ali, gritando que é pra virar à direita porque bem na frente tem um buraco e a outra pessoa finge que não escuta porque a música está muito alta. Chega uma hora que você cansa de avisar que existem buracos e deixa com que um pneu furado ou uma roda amassada dê o recado.

Não adianta ter o destino certo, você tem o alvo, mas para chegar nele existem inúmeros caminhos. Tipo aquele carrinho de controle remoto que tem sensor, por mais que você direcione o carrinho para frente, se ele encontrar um obstáculo no caminho, automaticamente ele muda de direção. Ai ficamos assim, tentando, tentando desviar dos obstáculos, tentando achar o caminho para chegar ao alvo. Só que de repende, o que era para ser uma reta vira um labirinto, o que era para ser uma caminhada de 15 minutos, vira uma viagem de carro exaustiva de 300 horas. O que era para ter 15km de extensão, acaba virando 2.450km. E convenhamos que, uma hora agente cansa de tentar acertar o caminho e acaba voltando pra casa.

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