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O tempo não volta.

Afinal, quem nunca quis por algum momento voltar no tempo?

Voltar para um momento único, matar saudade daquela pessoa que não está mais aqui, reviver uma viagem, um amor.
Mas no fundo, eu não gostaria de voltar no tempo, eu gostaria que o tempo voltasse a mim, ao meu eu de agora.

Não gostaria de voltar para os seus braços, nem de reviver aquela cena romântica digna de um filme, tão pouco tenho vontade de voltar aquela cena do parque, que corríamos de baixo de uma chuva torrencial. Porque tudo o que vivemos foi lindo e o que eu gostaria mesmo era poder trazer tudo isso para o hoje, não para mudar o passado, mas para construir o presente, um futuro.

Se o tempo viesse até mim, me traria seu beijo agora. Eu poderia fazer seu prato favorito e esperar você chegar depois desse dia de trabalho chuvoso. Eu colocaria um filme e nós ficaríamos no sofá até pegar no sono. Pela manhã eu faria seu café, o que seria novidade, pois no passado você me acordava com um beijo. Se você fosse trabalhar até tarde eu levaria seu jantar, esperaria por você para voltarmos para casa juntas, para nossa casa. Quando chegássemos não sentaríamos na varanda para nosso “cigarro”, enquanto contamos sobre dia, porque agora não fumo mais como antes, mas poderíamos sentar na mesa enquanto jantamos, bebericando e rindo de nós mesmas.
Eu olharia você bem nos olhos, de um jeito apaixonado e meu olhar diria o quanto tenho orgulho de te ter ao lado. Eu seria a primeira a acordar no sábado, te enchendo de beijos e com o meu melhor sorriso.

Pegaríamos o carro no final de semana, rumo a uma de nossas aventuras, mas desta vez eu faria questão de parar o carro no meio do nada, só para te dizer o quanto te amo. Deitaríamos em uma canga, olharíamos as estrelas e competiríamos a mesma estrela cadente, e quem sabe o mesmo desejo.

Nós não brigaríamos no dia dos namorados, porque hoje eu teria te calado com um beijo apaixonado ao invés de discutir com você. Eu não reclamaria do dia de ir ao supermercado, porque hoje é uma das coisas que mais sinto falta, daria tudo para ouvir meu celular tocando e atender você “Amor, vamos ao mercado hoje?”.
Continuaríamos com o nosso dia de vídeo game (você) e livro (eu), mas eu entrelaçaria meus pés aos seus, como sempre fazia. Nós dormiríamos de mãos dadas, braços dados, corpos entrelaçados. E eu continuaria a te chamar de vida.

No fundo não queremos voltar ao passado, na verdade queremos vive-lo com o eu de hoje. O passado não muda, mas nós vivemos em constantes mudanças.

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Brincando de Viver

Porque você não pode admitir que errou?

Não consigo ver a dificuldade em se despir dessa mania boba de se provar superior ao mundo, quando na verdade seu coração grita para que seus lábios acompanhe-o.

É mais fácil acreditar na sua versão hollywoodiana de “Ela (e) não me merece”, do que usar essa história para modificar suas atitudes como ser humano. Não é sua conta bancária, seu cargo profissional ou suas conquistas materiais que vão acrescentar no seu currículo. O dinheiro não compra um curso extracurricular de como se relacionar, pare e pense sobre isso.

Se a ponte quebra, antes de concerta-la você primeiro verifica o que ocasionou o dano. A raiz do problema, essa sim é a grande questão. Mas não é olhando para fora que você vai descobrir.

As pessoas anseiam por profundidade, quando na verdade nem ao menos sabem nadar.

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Quando voltei a enxergar.

Hoje quando abri os olhos, não vi nada. Era um breu impetuoso e ausente, tão pegajoso que ao respirar pela primeira vez fui capaz de sentir o gosto do medo.

Tateei o chão, meus dedos foram cobertos por uma espécie de lama arenosa e úmida. Aos poucos fui tentando me erguer, escorreguei algumas vezes antes de conseguir finalmente me colocar em pé, passo a passo, com a mãos esticadas a frente, inevitavelmente de olhos abertos, mesmo tendo a consciência de que não conseguiria ver nada além do escuro.

Mais dois passos, minhas mãos bateram doloridas em algo áspero e consistente, uma parede de pedras talvez, ou poderia ser uma rocha gigante. Assim que os latejos dos meus dedos silenciaram, pude ouvir com mais atenção, havia um som contínuo e irregular, esse barulho eu reconhecia até de olhos vendados, eram gotas. Isso explicava a umidade no chão, e também fazia com que o palpite de ter batido em uma rocha fizesse todo sentido do mundo, pelo menos na minha mente criativa e cega. Foi só depois de me levantar que comecei a perceber o gotejar, mesmo tateando a enorme pedra não conseguia descobrir de onde vinha a água, mas o ritmo só aumentava, os pingos eram cada vez mais constantes e intensos.

Eu estava molhada, passei a mão nos maus cabelos e pude sentir um líquido denso e pastoso escorrer por entre eles. Automaticamente levei as mãos a boca e nariz, pode sentir um cheiro quase asqueroso, uma mistura de sujeira e algo mais, demorei um tempo para ligar a memória com o nome, mas agora eu tinha certeza, era cheiro de ferro. Ferro. O que poderia ter ferro dentro deste lugar?

Não queria continuar a concluir este último pensamento, não queria que a resposta tivesse vindo assim de imediato, eu sabia, no fundo eu já sabia. Levei as mãos a minha barriga, pude sentir que ali minha blusa estava encharcada, fui deslizando os dedos delicadamente, sentindo aquele líquido viscoso e quente escorrer logo acima. Parei quando finalmente senti de onde vinha, era um corte, delicado e fundo, devia ter uns dez centímetros e havia sido feito bem no meio da minha cavidade torácica. Respirei fundo, não sentia dor alguma, e com toda a coragem que ironicamente me surgiu, segurei a abertura com minhas duas mãos, os dedos já estavam sentindo a carne quente e com um movimento brusco me despi daquela podridão. E foi só quando meu coração ficou a mostra que pude entender, eu estava sonhando e quando finalmente olhei para dentro, comecei a enxergar.

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.” – Carl Jung

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Leia-me

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Vai, levanta dessa cama que o sol já vai nascer, esse será um novo dia, cheio de novas oportunidades e experiências, mas se você continuar ai deitada nada de novo irá acontecer.

Anda, toma um banho bem demorado, deixa a água escorrer as tristezas que sobraram, se permita sentir o calor da água na tua pele porque você está viva.
Olha, escolhe uma roupa bem confortável, mas que te faça sentir bonita. Esborrife seu perfume favorito, aquele que te faz lembrar das rosas que existem em algum lugar florido que você não conhece, e que isso te traga força e vontade, para viver tudo o que ainda está por vir.
Ouve, mas com muita atenção, porque quando estamos correndo pelas ruas com pressa, não nos damos a chance de perceber os pequenos cantos do mundo.
Enxergue, não passe apenas os olhos no que te faz feliz, tire alguns minutos do seu dia, para congelar as imagens mais significativas que você observou durante ele.
Sorria, sempre que alguém lhe der bom dia, sempre que tiver vontade e até involuntariamente. Esses são os sorrisos mais sinceros.
Experimente, sair de casa, sair da rotina, mudar o caminho, comer coisas novas, fazer novos amigos, dar atenção para quem se importa com você e principalmente, experimente abrir o coração.
Chore, vendo um filme que te traz emoções adormecidas, abraçando alguém com saudade, chore mesmo sem saber o porque, no travesseiro ou no colo de quem te ama. Mas me prometa que pelo menos uma vez você vai chorar de alegria, assim aprenderá que as lágrimas nem sempre serão recorrentes da dor.
Ame, mas ame aquele amor que te tira o fôlego, mas que também te nutre de felicidade. Ame seu lugar no mundo, ame quem cruza teu caminho, ame até quem não te fará o bem, porque mais adiante você verá que o aprendizado é a melhor forma de ver a vida com outros olhos.
Esqueça, tudo o que não te traz felicidade, pessoas que não agem de acordo com seus princípios, mágoas que hão de insistir em se enraizar neste coração pequeno. Só não se esqueça dos momentos bons, dos sentimentos que fazem parte de você, das imagens gravadas da sua super câmera digital que se chama cérebro, e de todos quete querem bem.
Sinta saudade, mas não se esqueça de que a vida é agora, o passado dolorido já não tem lugar aqui, tudo sempre acontece com um propósito. Você pode sentir saudade, mas tente se lembrar que o amor deve sempre ser maior que ela.
Viva, da melhor maneira possível, fugindo do que te distrai, agindo de acordo com o que acredita, sempre da forma mais leve possível. Seja autêntica, forte, esperançosa e amável, a vida te trará toda a felicidade que você merece, mas esteja sempre atenta para não deixa-la passar.

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maio 12, 2014 · 6:03 pm

Borboletas

Bem devagar ela se aproximou. Com passos calados e sorrateiros, pouco a pouco chegou bem perto de onde ninguém havia chego.

Às vezes eu sinto como se ela pudesse se transformar em um milhão de borboletas, que ao mesmo tempo batem as asas e voam ao redor da minha mente. Elas entram em todos os orifícios do meu rosto, nariz, boca, olhos e ouvidos. Todas ao mesmo tempo, embaralhando tudo o que eu acreditava existir.

Num estalo todas elas se unem de uma vez, e finalmente consigo ver a dona de toda a confusão que um dia existiu em mim. Com seu olhar quase translúcido me fita como um falcão, decidida a me provar que é sim possível voar, que meu sonho pode e vai se tornar real.

Leio seus lábios diariamente e eles me dizem para olhar mais para mim. Ela insiste em dizer que meu olhar atinge apenas o lado externo de meu conhecimento, que está na hora de me emocionar com minhas próprias conquistas e não com as dos demais.

Foi quando seus dedos apontaram para minhas costas, foi quando parei para observar que em mim havia muito mais, só ai pude sentir a transformação, agora não mais apenas interna. Parei em frente ao espelho, sem perceber levantei os ombros como quem estica um músculo a muito adormecido. Doeu. Tirei a blusa e deixei a sensação de liberdade invadir cada poro de minha pele. Nem precisei virar de costas para vê-las, elas eram tão grandes que delicadamente se esticaram para os lados do meu corpo. Num azul quase celestial elas deram um solavanco, meus lábios acompanharam o movimento, se esticando de ponta a ponta. Doeu. Este músculo também estava adormecido há muito. Minhas asas estavam ali, elas sempre estiveram ali, mas eu precisava da sua doçura para me mostrar onde atingir meu olhar.

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Faxina

De tempos em tempos precisamos fazer uma faxina geral em nossas vidas, uma limpeza completa.

Foram 27 anos com as cortinas fechadas, portas e janelas trancadas, móveis empoeirados e luz cortada.Ao abrir as cortinas, pude realmente ver o tamanho do abandono em que me encontrava. Eu já quase nem me lembrava das disposições dos móveis, da cor das paredes, do desenho do tapete estendido na sala.

Agora estava tudo cinza, os lençóis que cobriam algumas caixas, as paredes, o que antes eram azulejos, e até mesmo o chão. Cinza cor de sujeira.

Comecei pela cozinha, abri todos os armários, e um por um, os esvaziei. Em um deles encontrei um velho copinho de plástico, daqueles com canudinho embutido, eu amava tomar qualquer coisa nele, geralmente não estava com sede, mas eu bebia porque gostava da sensação que ele me trazia. Me despedi dele e coloquei-o em uma das caixas, meu velho copo de plástico agora já não me servia mais.

Passei o polegar sobre o mármore frio da pia, observei o rastro que ele deixava em meio a poeira e gordura acumuladas pelos anos. Lembrei das tardes em que ao invés de assistir sessão da tarde, estava exatamente em frente a essa mesma pia, picando legumes para mais tarde minha mãe cozinhar uma sopa para o jantar.

Olhei para o lado e reconheci o fogão, sem a tampa de vidro, um pouco mais enferrujado e praticamente de outra cor, pela sujeira. Uma vez eu estava na cozinha, quando meu pai sentou em uma das banquetas da mesa e brincando, começou a se balançar para frente e para trás, continuamente, até a banqueta começar a dar pequenos “trancos” e deslizar meio sem direção. Ele fez isso algumas vezes, até acertar em cheio o fogão, que estava com a tampa de vidro levantada. Foi um estrondo e muitos cacos de vidro espalhados por todos os cantos, minha mãe ficou uma fera com ele. Eu sorri com a lembrança, mas logo me detive, ainda havia muito a ser feito.

Logo atrás havia a mesa, uma espécie de bancada no meio da cozinha, onde eu havia soprado muitas velinhas de aniversário, inclusive nos meus doze anos. Eu estava visivelmente chorando, depois de ser injustamente enforcada pelo meu pai, tudo isso por conta de um CD que havia sumido em meio a festa, e claro, a culpa era sempre minha quando algo acontecia. Suspirei.

No quintal dos fundos não tinha muito mais do que sujeira, folhas secas por todos os lados, uma casinha de cachorro abandonada e meio apodrecida dava um ar um tanto asqueroso ao lugar. Nas prateleiras, algumas ferramentas velhas. No lugar da Camellia, agora jazia apenas uma raiz podre e decomposta.

Varri tudo devagar, pouco a pouco a cozinha estava tomada por um aglomerado de entulho ensacado, pronto para ir ao lixo.

Caminhei até a sala, senti um aperto no peito quando abri a cristaleira e encontrei todas as garrafas vazias. Corri os olhos pela escada e sem hesitar a cena se reconstruiu diante dos meus olhos. Meu pai caindo abaixo do terceiro degrau, rolando até o último, deslizando pra baixo do sofá e permanecendo ali desacordado até que eu arrombasse a porta. Chamaram a polícia, até hoje não consigo entender porque minha mãe não entregou a arma ilegal que ele mantinha em casa e que por vezes fomos ameaçadas. Por fim, foram 3 costelas trincadas e alguns dentes a menos. Sem falar na porta destruída e na vergonha alheia pela embriaguez.

Recolhi os poucos quadros que permaneciam na parede, uma a uma as garrafas foram deixadas para trás e mais sacos se enxiam.

Na estante, que ficava na parede oposta, encontrei o aquário vazio, onde antes uma criação de lebiste existia, agora apenas uma vida microscópica resistia.

Quando subi a escada uma leve vontade de chorar me ocorreu, mas a perdi assim que meus olhos focaram o carpete sujo e rasgado. Tentei abstrair o odor forte que vinha dele, e consegui assim que adentrei o primeiro quarto, o dos meus pais.

Estava tudo ali. A penteadeira, a cama baú, os criados mudos, o guarda roupa, o rack bambo que acoplava a televisão e a poltrona de vime de baixo da janela. Tenho que confessar que na minha memória era tudo mais vivo, agora nada mais tinha cor.

Fui para o segundo quarto, aquele que um dia tinha sido meu refúgio e por vezes minha morada particular. Nele ainda estava minha cama de solteira, meu armário, minha escrivaninha e meu gaveteiro. Dentro dele, revistas velhas, posteres e sonhos de uma criança triste. A janela ainda dava para a mesma rua de trás, a grade, colocada pela parte de dentro, ainda remetia a uma prisão. No teto haviam algumas estrelas grudadas, daquelas que brilhavam no escuro. Era para elas que eu olhava todas as noites antes de pegar no sono nada profundo.

Ao fechar a porta lembrei das vezes em que ao invés de dormir, ficava escutando conversas, na maioria delas nada agradáveis, sempre pronta para acudir e acabar com uma discussão. Uma vez cheguei a correr para o quarto deles, quando no lugar de vozes, ouvi choro e gritos. Flagrei meu pai agarrando minha mãe pelos cabelos, aos meus pés uma objeto, o que antes parecia ser uma aliança, agora não passava de um objeto inanimado. Eu tive vontade de bater nele, mas com meus 12 anos, respeito e 1,50 cm de altura, me contive em balbuciar algumas palavras. “Eu tenho nojo de você”, foi a frase que saiu rasgando minha garganta e que visivelmente desmontou a cena. Arrisco a dizer que até a bebedeira dele passou, tamanho desgosto ao ouvir aquilo.

O último cômodo era o banheiro, o box quebrado, azulejos imundos e poucas lembranças. Foi assim que me senti pronta, não só para me desligar de tudo aquilo, mas para realmente deixar tudo para trás.

No segundo que seguiu, pude ouvir o ronco de um motor, desci as escadas e pela janela opaca avistei um caminhão. Abri a porta e dei o sinal para que começassem a carregar. Um a um, os móveis foram sendo empilhados, e por fim as caixas junto aos sacos pretos contendo o lixo de anos. Carregado, o caminhão seguiu seu destino, e eu estava prestes a seguir o meu.

Mangueira, sabão, vassoura, panos e balde. Cômodo por cômodo fui lavando toda e qualquer lembrança. A água negra descia as escadas, molhava os tacos de madeira do chão da sala e escorria lentamente para o quintal da frente. Em poucas horas estava tudo limpo outra vez, azulejos brilhando, paredes manchadas pelo tempo e cheiro de renovação.

Recolhi minhas coisas e me despedi profundamente de tudo o que vivi ali. Deixando para trás, naquela água suja, toda e qualquer mágoa que impregnada no meu passado sombrio. Fechei o portão, corri os olhos pela vizinhança e finalmente pude dar adeus.

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maio 7, 2013 · 7:18 pm

Resignação

Eu sempre achei que a palavra existir não passava de um termo vazio, mas não tão vazio quanto o sentido da palavra.
Talvez eu não tenha usado a palavra correta, achar é um verbo e seu significado não condiz com o que estou tentando descrever. Sentir. Esta é a palavra certa, o sentimento que se encaixa perfeitamente quando eu fecho os olhos e abro meu coração.
As vezes tenho a impressão de que enxergo melhor de olhos fechados, uma vez ouvi essa frase e fiquei dias tentando entende-la. Hoje não só entendo, como sinto, vejo.
Todas as vezes em que cai, cai sozinha e de olhos abertos. Cai pela ansiedade em alcançar algo em que acreditava estar ao final do caminho, cai por medo de fechar os olhos e seguir meu instinto. Os olhos podem nos iludir, o coração não.
Foi quando eu finalmente perdi o medo e fechei os olhos que comecei a enxergar. E para minha grande surpresa, descobri que nem sempre é preciso chegar ao fim de um caminho para encontrar o que se procura, que nem sempre sabemos realmente o que queremos encontrar e que nem sempre achamos o que queremos. Nós só encontramos o que precisamos encontrar.
As vezes um tropeço serve mesmo para nos fazer ficar cara a cara com o que estava bem debaixo do nosso próprio nariz, mas nossa mania de olhar só para frente não deixou outra escolha para o universo, a não ser nos colocando na mesma altura do que precisávamos ver.

Cada dia um aprendizado, a cada aprendizado um agradecimento, a cada agradecimento uma resignação e a cada resignação um suspiro de alívio.

Vivendo, aprendendo e confiando sempre!

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