Arquivo do mês: junho 2012

Um caminho

Chegou o tão esperado dia, que há muito estava esperando, como combinado, hoje é o dia de encontrar “aquela” pessoa que faz seu coração bater mais forte.  Você passa o dia tentando imaginar o que vai dizer assim que seus olhos cruzarem com os dela, não consegue se concentrar no trabalho, não tira os olhos do relógio e até se esquece de comer. 

Pronto. Acabou o expediente. Você sai apressado, entra no carro e torce para que não tenha trânsito. Caramba. A roupa!

Você ficou tão ocupado pensando em como seria isso ou aquilo, que acabou se esquecendo de uma coisa importante, que roupa vai usar?

Bom, uma coisa de cada vez, primeiro vou chegar em casa, tomar um banho, ai sim decido entre uma das minhas duas roupas preferidas. Ok.

Banho tomado, roupa decidida, perfume, casaco, chave do carro, endereço…endereço? Ptz!

Liga o computador. Pega o endereço no email. Legal, tudo certo!

No caminho você se depara com um trânsito chato, mas decide que nada vai tirar o seu bom humor, porque em breve tudo o que você mais quer estará bem ali, na sua frente. Vira uma direita, algumas esquerdas, dá a volta, entra em uma rua sem saída, para em um ou dois postos de gasolina para se certificar que o caminho está correto e depois de algum tempo chega ao endereço que recebeu por email. Mas espere um momento, esse endereço não pode estar certo, o número 403 é uma casa, não pode ser. Você segue em frente, olha número por número, nenhum sinal de algo parecido com o local que está procurando, aquele parece ser um bairro residencial. Para o carro, pega o celular e liga para ela, a pessoa que marcou e combinou com você. Aquela que está te fazendo delirar acordado. Nada. Caixa postal.

Bom, o melhor a fazer é tentar achar o local pelo nome. Google it. O mapa te dá um caminho completamente diferente, para um lugar que você nunca viu na vida e nem ouviu falar. Bom, pra quem já está perdido, se perder de novo não é nada, mesmo porque você quer isso mais do que tudo na vida. Em paralelo continua tentando fazer com que a caixa postal decida parar de falar, quem sabe o sinal está ruim, hoje em dia isso é mais do que normal, mesmo porque ela não teria motivo nenhum para te dar um “perdido”. Ou teria? Melhor não pensar no pior, não, imagina, será que eu anotei o endereço certo?

Você continua tentando chegar ao tal lugar, depois de mais uns dois taxistas e sabem-se lá quantos postos de gasolina, você realmente começa a ficar angustiado. Já se passaram duas horas do horário combinado, nenhum telefonema, mensagem ou sinal de vida. Nossa. Esqueci o celular no silencioso!!! Quando você pega o celular, percebe que a bateria já era, depois de um dia inteiro, é claro que ela não aguentaria!
Legal, muito legal, está tudo realmente dando errado. Ai você percebe, que o que deveria levar 30km, já tinha virado 200km. Mais algumas tentativas, indicações e paradas, você começa a se sentir um idiota e automaticamente desanimado. Essas horas já estão todos bêbados e dando risada, enquanto você está enfrentando o mundo, literalmente, para conseguir chegar ao menos para um oi. Depois de mais alguns bons km e muito cansaço você finalmente decide voltar pra casa. Chegar a um local que você conhece é 300 vezes mais fácil. “Acho que não era pra ser”, pensamento típico de quem não consegue concretizar o que tinha em mente.

Chega a sua casa, toma outro banho, desta vez para tentar dormir ao invés de acordar. Tenta não pensar nas muitas possibilidades que cria para responder a pergunta que não quer calar, passa a noite em claro, tentando se convencer de que é apenas uma insônia causada pelo stress dos 300km e la vai bolinha, que você percorreu em meio ao trânsito e ansiedade por chegar a tempo no lugar combinado a uma semana atrás. Uma grande perda de tempo, sem contar de saúde, sono e gasolina.

Assim que o bom senso define que já é uma hora descente de ligar para alguém em um sábado de manhã, você pega o telefone para finalmente descobrir o que houve. Uma, duas, três, são a quantidade de vezes que o seu dedinho aperta o botão de desliga. Coração a mil, estômago doendo, mãos suando e um alô do outro lado da linha. Legal, ela me atendeu.

“Me desculpa. Na correria acabei te mandando o endereço errado, eu sabia o nome do lugar, mas o endereço não. Minha bateria acabou, eu não tinha seu telefone anotado em outro lugar. Quando consegui um celular com internet emprestado, peguei seu número no meu email, mas só dava caixa postal”. É a frase que você ouve. Bingo!!!

Você fica desconcertado, murmura um “tudo bem, acontece.” E se sente um tremendo idiota por ter passado a noite em claro pensando em um monte de possibilidades inexistentes. Legal, mas o que essa história tem de tão interessante? Ao pé da letra nada!

O problema é que muitas vezes fazemos isso durante um bom tempo em uma relação, pela “falta de comunicação” você acaba desviando do caminho diversas vezes, o que poderia ter sido resolvido com uma ligação durante o dia, ou uma confirmação no endereço, fez com que você tivesse a noite mais longa da sua vida. Por falta de comunicação você acaba supondo mais do que realmente deve. Acaba criando mais do que um diretor de criação daquela agência bam, bam, bam e pior, você nem vai concorrer a um Cannes por isso.

Pior ainda é quando um fala e o outro não ouve. Você está ali, gritando que é pra virar à direita porque bem na frente tem um buraco e a outra pessoa finge que não escuta porque a música está muito alta. Chega uma hora que você cansa de avisar que existem buracos e deixa com que um pneu furado ou uma roda amassada dê o recado.

Não adianta ter o destino certo, você tem o alvo, mas para chegar nele existem inúmeros caminhos. Tipo aquele carrinho de controle remoto que tem sensor, por mais que você direcione o carrinho para frente, se ele encontrar um obstáculo no caminho, automaticamente ele muda de direção. Ai ficamos assim, tentando, tentando desviar dos obstáculos, tentando achar o caminho para chegar ao alvo. Só que de repende, o que era para ser uma reta vira um labirinto, o que era para ser uma caminhada de 15 minutos, vira uma viagem de carro exaustiva de 300 horas. O que era para ter 15km de extensão, acaba virando 2.450km. E convenhamos que, uma hora agente cansa de tentar acertar o caminho e acaba voltando pra casa.

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Cada tipo de planta requer um cuidado diferente, você precisa podar, regar, adubar e colocar ao sol, respeitando sempre as indicações para cada espécie. Nós também somos assim, cada um de nós precisa de um cuidado específico, cada um tem um ponto fraco, que se atingido diversas vezes pode levar a morte.
Primeiro a raiz apodrece, e em pouco tempo cada função é paralisada, as folhas caem todas, só o tronco permanece ali fincado na terra, mas por dentro ela está morta.

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Caminho Árduo

Me vejo caminhando com passos certeiros, levemente espaçados pela dificuldade que a areia provoca. Sinto a força elástica de todos os músculos das minhas pernas, eles repuxam cada tendão, tencionam cada centímetro da minha pele.
O vento corta meu rosto, minúsculas partículas rebatem em cada parte do meu corpo, são como pequenas agulhadas superficiais que remetem a dor quase esquecida. Meus pés afundam a cada passo, sinto meus dedos se perdendo em meio a areia e posso sentir pequenas pedras ponte agudas nas pontas de cada dedo, na sola dos meus pés, massageando e torturando a pele já calejada.
Está frio, sinto o ar congelando minhas vias nasais, cortando minha garganta a cada milímetro inspirado e me lembrando friamente de que ainda estou viva.
A noite vem chegando, minha visão é comprometida pela ventania vinda do sul, uma névoa arenosa toma conta dos próximos metros, me cubro o máximo possível, me inclino para ganhar força em cada passo, levo minha mão ao rosto no intuito de proteger meus olhos já úmidos e irritados pelo clima.
Ando mais alguns metros e encontro uma fenda em meio as rochas. Entro me esgueirando, a magreza forçada ajuda, me sento e deixo com que a dor tome conta de cada músculo existente, alguns que até mesmo eu desconhecia. Adormeço, o cansaço não permite com que os sonhos se aproximem, quase como se minha mente exausta os expulsassem.
Pouco a pouco a luz invade o que chamaria de uma gruta feita pela erosão, abro os olhos com dificuldade, minhas pálpebras parecem estar coladas, mas aos poucos me acostumo com a dor que cada grão de areia provoca. Sinto uma sensação revigorante ao respirar o que parece ser um novo dia, posso sentir o oxigênio ser transportado para meus pulmões, acordando cada centímetro do meu corpo.
Quando arrisco colocar meu rosto para fora um sorriso elástico surge em meus lábios, o caminho árduo e duro acabou, e finalmente encontrei o que me parece ser o lugar perfeito para terminar essa caminhada.
Corro em meio as pedras, sem dar importância ao sentir cada corte aberto em meus pés, sem sentir a dor provocada por elas, sem nem me lembrar do caminho que até o dia anterior havia me deixado quase sem forças. Pulo na água gelada, cada pedacinho de rocha se descola do meu corpo, o tecido que uso se desprende e cola, quase com um ritmo constante.
Fico flutuando como se pudesse voar, abrindo os braços como se fossem asas, ouvindo o barulho surdo que a água provoca em meus ouvidos.
Não sei bem quanto tempo quero ficar aqui, sentindo apenas cada sensação, sei apenas que encontrei, me encontrei.

Amanda Carbone (28/06/2011)

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Vida

Imagine um parquinho de diversões, daqueles que os pais levam seus filhos para interagir com outras crianças. A maioria não se conhece, mas todos brincam, sem escolher cor, raça, opção sexual ou religião ; mesmo porque com essa idade ainda não fazemos idéia do que isso tudo significa; eis ai o ponto chave.
Quando somos crianças gostamos de todos, temos mil amigos e pelo menos 5 namoradinhos na escola. Nos apaixonamos por garotos 10 anos mais velhos e classicamente pelo professor de educação física. Sonhamos em ser astronautas, ou no meu caso marinheira (risos). Não vemos maldade nas atitudes, perdoamos com facilidade, choramos e sorrimos pelo menos umas 5 vezes por dia. Vemos o mundo como uma aventura, ficamos completamente extasiados por dormir na casa de uma amiguinha, comemos brigadeiro sem culpa em todas as festinhas. Falamos eu te amo com toda a sinceridade do coração, somos espontâneos, só vamos no colo de quem gostamos. Dançamos sem a mínima vergonha, assopramos as velinhas nos aniversários, dividimos a atenção com as demais crianças, principalmente com as menores, todos sempre assopram as velinhas com você. Não ligamos se aquele primo chato apareceu na festa, não esperamos nada e ninguém, ficamos felizes em fazer aniversário. Abrimos todos os presentes, e todos eles perdem logo o valor, facilmente são descartados por algo novo.

Pena que essa fase dura pouco, a mágica acaba. Começamos a escolher com quem ter amizade, seja pela aparência, pela idade, os grupos se subdividem pelas intenções. Perdemos a forma simples de ser, começamos a ter vergonha do que somos, a medir palavras e atitudes, com medo do que os outros vão achar, afinal, queremos nos manter no “grupo”.
As festas de aniversário não são mais as mesmas, não nos importamos com o aniversário em si, e sim quem irá comparecer nele. Não queremos convidar aqueles “NERDS”, ou os famosos excluídos, sofremos se o garoto mais bonito da escola não vai, ou se aquele paquera fica de conversinha com sua melhor amiga. Passamos a sentir vergonha, principalmente na hora do parabéns. Não abrimos todos os presentes, mas queremos ganhar muitos, e infelizmente começamos a ser materialistas. Não falamos mais eu te amo, principalmente para nossos pais, imagina se o pessoal da escola sabe disso? Dar selinho na mãe então, é o cúmulo da vergonha.
Nos agrupamos por status, não pela real essência das pessoas. Perdemos aquele brilho, não somos mais um só e sim um grupo.

Quando amadurecemos começamos a dar valor a primeira fase, ou pelo menos a maioria deveria, aquela em que somos verdadeiros, independente do que os outros achem. Fica explícito que somos sozinhos e agora nenhum grupo te pertence, você vive em uma diversidade e é assim que deve ser. Conhecemos pessoas de diversas religiões, de raças distintas, com lições de vida ainda mais diferentes que a sua, e aprendemos com elas. Deixamos o orgulho de lado, falamos eu te amo para quem realmente merece ouvir, sentimos falta de nossos pais e da facilidade com que expressávamos nossos sentimentos. Nos arrependemos por deixar de lado algo tão importante, tão simples e corremos atrás, tentamos reverter isso.
Voltamos a dançar sem vergonha, sem ritmo, sem graça, agora tanto faz, não precisamos agradar ninguém. Aprendemos que o vazio não agrega, muitas vezes é mais interessante ficar em casa e ver um bom filme, do que sair e encher a cara, principalmente com pessoas que não nos acrescentam em nada. O verdadeiro amigo é aquele que te aceita exatamente assim, do seu modo, a sua maneira, agora as coisas passam a ter mais sentido. O amor é a união de sentimentos, misturado com respeito, companheirismo e sinceridade. Defeitos e qualidades, soma e não divisão, admiração e apoio, luta, crescimento. Nossa, porque aprendemos isso tão tarde?
O tempo não importa, feliz é aquele que vive tempo suficiente para aprender, seja com seus erros, seja com as falhas dos outros. Feliz é aquele que tem tempo de reverter acontecimentos, mudar o final e não o começo, perdoar, se perdoar.
Feliz é aquele que vive bem consigo mesmo, sem esperar do outro o que deveria ser feito por si mesmo. Feliz é aquele que aprendeu a se amar, se respeitar, sem se cobrar, afinal, podemos sim ser mais do que um. Porque construir uma máscara dura, com um sorriso estampado na cara? Ser séria ou puritana? Sorrir quando se quer chorar?

Feliz é aquele que consegue conviver com seus diversos eu’s, e principalmente, feliz é aquele que consegue amar cada um deles, com seus defeitos e qualidades.

Amanda Carbone (03/05/2011)

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Direita

Gostaria tanto de poder adentrar nos seus pensamentos, sentir seus sentimentos e descobrir a forma como me vê.
Tentei me proteger de todas as formas possíveis, deixei de amar por medo de sentir dor, me afastei ao invés de enfrentar, me escondi quando deveria ter mostrado meu rosto.
Não me arrependo de nada, porque hoje me sinto pronta, capaz de dividir tudo o que tenho, me sinto forte o bastante para cair novamente, e quem sabe desta vez não seja um pequenino tombo de amor, daqueles que apenas te tira o fôlego.
O difícil é saber para quem entregar todo esse sentimento guardado, hoje tento observar mais e sentir mais. Confio mais no meu instinto e no meu coração, sei que ele vai me guiar para o caminho mais bonito.
Já perdi muito tempo tentando transformar algo que jamais se transformaria, ao invés disso, hoje eu tento aceitar tudo exatamente como é, se não for capaz de fazer isso eu prefiro abrir mão, acabo passando por cima da minha felicidade momentânea, para não transformar em dor os envolvidos.
Tem quem não me entenda, peco pela minha indecisão, mas o que não se percebe é que não estou pensando apenas em mim, ou em um momento, eu penso em um todo, vejo além, adiante.
Não sigo um caminho quando sei que ele vai me levar a um lugar sombrio, prefiro virar a direita e tentar um novo. Estou errada por fazer isso?

Enfim, finalmente virei a direta, logo ali em frente. Não faço idéia de onde essa caminho vai me levar, mas certamente ele já é mais ensolarado, pelo menos por enquanto.

Amanda Carbone (12/04/2011)

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Gente

Tem gente que nem gosta da gente,
Tem gente que apenas olha,
Tem gente que sofre em silêncio,
Tem gente que nos ignora.
Tem gente que não sabe o que quer,
Tem gente que ilude agente,
Tem gente que se desespera,
Tem gente que confunde agente,
Tem gente que nos admira,
Tem gente que esconde o que sente,
Tem gente que é egoísta,
Tem gente que não admite,
Tem gente que se engana,
Tem gente que julga agente,
Tem gente que fica perdida,
Tem gente vazia,
Tem gente que não sabe amar.

Tem gente que os faz de gato e sapato, pelo simples e puro prazer de nos ver sofrer. Tem gente que não tem o coração aberto e capaz de ver o que está bem diante dos seus olhos. Tem gente que prefere se proteger do que ser feliz. Tem gente que machuca agente por não conseguir expressar o que sente. Tem gente egoísta o suficiente para não querer estar com você, e não querer te ver com ninguém. Tem gente que se esconde de si mesmo, com medo do que pode descobrir. Tem gente que tenta ser racional e se confunde todo. Tem gente que perde sem nem ao menos tentar ganhar.

Amanda Carbone (19/11/2010)

 

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Tempo

O tempo passa sinuosamente por nós,
Com a certeza de ser desapercebido,
Quase irônico e destemido.

O tempo se cansa de ser assim tão sorrateiro,
Então ele decide assumir a inconstância,
Tirar a calma, surgir do breu.

Só assim ele é percebido, quando nossas vidas parecem desabar, quando o tempo parece ser tão importante quanto o ato de respirar. Quando percebemos que o passado parece cada vez mais distante, quando o tempo parece irrevogável.

Não deixe que ele se revolte contra sua falta de percepção, aprecie cada segundo, não deixe nada para depois, porque o depois pode não existir amanhã.

Amanda Carbone (19/10/2010)

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